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"Livros, discos, vídeos à mancheia! E deixe que digam, que pensem, que falem..."

segunda-feira, novembro 26, 2007

Ele é Ninja!

Muitos sabem o apreço que tenho por letras de música. E não poderia deixar de falar de um dos maiores letristas (quiçá o maior!) do Brasilzão de meu Deus. Claro que tô falando de Chico Buarque.
O homem tem um talento inegável na hora de botar idéias no papel. Não vou nem me atrever a analisar nada aqui. Deixo só três exemplos que me ocorreram agora:
"A saudade é o revés de um parto; a saudade é arrumar o quarto do filho que já morreu..."
(em Pedaço de Mim)
(que definição de saudade é essa, meu povo? Como ele conseguiu?)
"Quem que te mandou tomar conhaque com o tíquete que te dei pro leite?"
(em Biscate)
(é a ginga do samba transportada pra letra. Quem conhece a canção sabe do que tô falando. Cumé que esse senhor pensou nisso?)
"Te dei meus olhos pra tomares conta, agora conta como hei de partir..."
(em Eu te Amo, com Tom Jobim)
(Ah, o lirismo...)
Eu daria meu dedo mindinho pra ter escrito a pior das letras de Francisco Buarque de Hollanda.
Agora, aquela frase batida de que ele entende alma feminina e coisa e tal, eu concordo muito não. Ele conta ótimas histórias envolvendo mulheres, mas ser filósofo/conhecedor do sexo frágil acho demais e até redutor.
Pelamordedeus, coloquem seus exemplos de achados poéticos desse moço aqui, nos comentários...
Ósculos e amplexos pra quem for de.
p.s.: para aqueles que pensaram "pô, mas só um post mixuruca desse pra falar do Chico?", aviso que concordo plenamente e que prometo um post mais detalhado e falastrão em breve.

6 Comments:

Blogger Thaís said...

Não, não, esse negócio de que Chico entende a alma feminina é a mais pura verdade. E você, como todos os outros homens, não é mulher para saber. hahaha. exemplo:
"Vou chegar, a qualquer hora ao meu lugar e se uma outra pretendia um dia te roubar, dispensa essa vadia eu vou voltar".

Agora, acompanhando sua análise:
"É só o que eu pedia. Um dia pra aplacar minha agonia, toda a sangria"
(em Basta um dia)
(que definição de desespero é essa?)

A ginga, sem sombra de dúvida, eu deixo para A volta do malandro
"Caminhando na ponta dos pés, como quem pisa nos corações que rolaram dos cabarés"

O lirismo é o mais difícil de escolher, mas poucas coisas no mundo são tão delicadas quanto Cecília "Eu que te vejo e nem quase respiro (...) eu te murmuro, eu te suspiro (...) na tua presença palavras são brutas" Cara, essa letra é um absurdo!

Dois adendos:
1 - Quiçá, não. Chico é, definitivamente, o maior compositor brasileiro de sempre aí sim, quiçá, do mundo.
2 - Nunca, ninguém foi tão feliz quanto Chico ao escrever "O que será" - versão À flor da pele.

9:33 PM  
Blogger Alex Manzi said...

Este comentário foi removido pelo autor.

11:45 PM  
Blogger Alex Manzi said...

Thaizonaaaaaa!

Eu continuo achando que o Chico continua usando muito bem a VOZ feminina, pro bem e pro mal, mas discordo de que ele é conhecedor dos segredos de Eva.

Bem, Basta um dia eu não conhecia, mas é boa, mesmo sem conhecer...

A ginga a que me referia era a da pronúncia do verso que mencionei. Mas A Volta do Malandro é gingatística também.

Como já te disse, muito bem lembrada a Cecília, dele e de Luiz Cláudio Ramos. Belíssima canção de 1998, o que prova que ainda recentemente o Chico produz clássicos ou, no mínimo, coisa boa. Ao contrário de muita gente por aí...

Beijoca e obrigado por passar aqui no meu boteco.

11:46 PM  
Blogger Thaís said...

Tá faltando é cerveja nesse boteco.
A música tá boa, como sempre.

11:50 PM  
Blogger João Flávio Resende said...

Fala, Manzi!

O seu post foi curto porque é mesmo difícil escrever sobre o Chico.

Outro comentário fora do assunto. Tem um trecho de outro post seu escrito assim: "muita gente baixa músicas e discos inteiros e vídeos e outras coisas afins!". Este estilo de escrever a conjunção "e" repetidas vezes aparece em várias ocasiões no livro "As cidades invisíveis", de Italo Calvino. Tem algo a ver?

Abraços.

4:54 PM  
Blogger Alex Manzi said...

Olá, João Flávio!

Obrigado pela visita. O Chico é mesmo impalavrável, mas um dia eu escrevo um post melhor que esse.

Eu já li alguma coisa do Calvino e gostei muito. Mas a obra que você citou ainda não. Ou seja, coincidência.

Gosto muito da repetição do "e"; além de proporcionar um exercício estilístico não muito usado, ele dá uma idéia de vastidão bem maior que a das vírgulas puras e simples...

Um enorme abraço. Volte sempre.

5:27 PM  

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